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Ary Barroso
RESUMO BIOGRÁFICO



Ary Barroso

Compositor, pianista, locutor e apresentador. Filho de João Evangelista Barroso, deputado estadual e promotor público em Ubá e de Gabriela Augusta de Resende. Em 1909, aos seis anos de idade, perdeu a mãe vitimada por tuberculose, aos 22 anos de idade. Dois meses depois, o pai faleceu vitimado ela mesma doença, e o menino Ary foi criado pela avó, Gabriela e pela tia Ritinha, sua primeira professora de piano. Devido às dificuldades financeiras, com apenas 12 anos de idade, Ary passou a ajudar a tia, fazendo ao piano fundo musical para filmes no Cinema Ideal. Pouco depois, empregou-se como caixeiro da loja A Brasileira, onde chegou a permanecer por um período de seis meses. Cursou o primário na escola do professor Cícero Galindo, seguindo seus estudos no Ginásio São José. Deste, por seu comportamento pouco disciplinado, passou pelos ginásios de escolas nas cidades de Viçosa, Leopoldina e finalmente Cataguases onde concluiu o curso. Por essa época, já freqüentava a boêmia local, era goleiro do Botafogo Futebol Clube de Ubá e desfilava no Bloco Ubaenses e Estrelas, contrariando a família que saía no Bloco Dragões e Opalas.

1921
Deixou Ubá e passou a residir no Rio de Janeiro, onde prestou vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Enquanto cursava a faculdade no período da manhã, voltou a fazer fundo musical para cinema mudo, trabalhando de 2 às 6 no Cinema Íris e das 8 às 10 no Cinema Odeon. Com a carga intensa de trabalho o curso iniciado em 1922 foi interrompido inúmeras vezes, e Ary só se formou em 1930, na mesma turma do cantor Mário Reis. Envolveu-se com a política, tendo sido em 1946, o segundo candidato mais votado da União Democrática Nacional (UDN) nas eleições para a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Na política, venceu uma grande batalha, a construção do Estádio do Maracanã. Participou ativamente no campo da arrecadação do direito autoral, como membro da UBC (da qual foi primeiro presidente, em 1942), da Sbat e da Sbacem.

1923
Reconhecido como bom pianista, Ary foi convidado a participar da orquestra da peça Luar de Paquetá, de Freire Júnior, encenada no Teatro Carlos Gomes pela companhia de Alda Garrido. Integrou, ainda, as orquestras Trianon, de Alarico Paes Leme, a American Jazz de José Rodrigues, a orquestra de J. Thomaz, a Jazz Band Sul Americana de Romeu Silva, entre outras. Quando não tinha orquestras onde atuar, oferecia-se para tocar em bailes.

1928
Foi contratado pela orquestra do Maestro Spina (São Paulo), para uma temporada em Santos e Poços de Caldas. Nesse período passou a compor, tendo levado algumas de suas músicas para a editora de músicas, Casa Carlos Wehrs. Duas delas, Vamos deixar de intimidade e Vou à Penha, foram selecionadas por Olegário Mariano, autor da revista "Laranja da China", dirigida por Luís Peixoto, para serem incluídas na peça. As músicas seriam interpretadas por Araci Cortes e Zaíra Cavalcanti. Encomendaram a Ary seis foxtrotes a serem apresentados no dia seguinte. As músicas foram aprovadas e receberam letra de Luís Peixoto. Com "Laranja da China", Ary Barroso tornou-se conhecido como compositor. Vou à Penha foi gravada em fins de 1928 por Mário Reis. Sua participação no teatro musicado estendeu-se até a década de 1960, tendo escrito músicas para mais de 60 peças teatrais. Por essa época, Ary foi contratado pelo Teatro Recreio, para musicar futuras peças, como "Brasil do amor", onde estreou o cantor Sílvio Caldas, interpretando Faceira. Para a revista "É do balaco-baco", compôs uma melodia que recebeu letra de J. Carlos intitulada Na grota funda. Impressionado com a beleza da música, Lamartine Babo, que estava na platéia, escreveu novos versos para a música, com o novo nome de No rancho fundo, apresentando-a com o Bando de Tangarás no dia seguinte na Rádio Educadora, sem pedir licença a Ary Barroso, a peça seria gravada logo depois por Elisinha Cioelho. Assim começou a parceria dos dois grandes compositores.

1929
Decidido a casar com Ivone Belfort de Arantes, mas sem recursos para o casamento, decidiu participar do concurso de músicas carnavalescas promovido pela Casa Edison. Escreveu a marchinha Dá nela, que não só ganhou o primeiro prêmio, mas tornou-se o grande sucesso de carnaval de 1930, tendo sido gravada por Francisco Alves. Com a ajuda do prêmio, Ary e Ivone puderam se casar (18 de janeiro de 1930).

1931
A partir deste ano alcançou prestígio como compositor, tendo suas músicas gravadas pelos grandes nomes da época, entre os quais Elisa Coelho, Sílvio Caldas e Carmen Miranda.

1932
Ingressou na rádio Philips a convite de Renato Murce, no programa "Horas do outro mundo", atuando a princípio como pianista e assumindo pouco depois as atividades de locutor, humorista, animador e locutor esportivo. Da Rádio Philips, transferiu-se para a Mayrink Veiga e, posteriormente, para a Cosmos em São Paulo. Neste mesmo ano, um novo caso de troca de letra. Para uma revista de Luís Peixoto e Freire Júnior, Ary compôs uma música, cujos versos foram trocados por Peixoto. Nasceu assim a composição Maria, feita para a peça teatral "Me deixa Ioiô", uma homenagem à atriz portuguesa Maria Sampaio, estrela da peça .

1933
Obtém sucesso carnavalesco com a marcha Segura esta mulher e com o samba-canção Maria, que se tornaria um clássico da Música Popular Brasileira na voz de Sílvio Caldas.

1934
Foi à Bahia como pianista da orquestra Napoleão Tavares ficando encantado com o que viu, baianas, comidas, ladeiras, imagens que seriam perpetuadas em suas composições. Neste mesmo ano, fez sucesso com o samba-canção Tu, uma das raras composições não-carnavalescas a se destacar nesse ano.

1935
Foi para a Rádio Cruzeiro do Sul, onde lançou o programa "Hora H", apresentado anteriormente na Cosmos. Neste mesmo ano, estreou como locutor esportivo, auxiliando Gagliano Neto na transmissão de corridas de automóvel no circuito da Gávea. Foi locutor de futebol, ficando famoso pela flautinha que tocava a cada gol que narrava. Além disso, não escondia sua paixão pelo Clube de Regatas do Flamengo e quando este jogava, comportava-se ao microfone muito mais como um torcedor do que como locutor. O sucesso do ano de 1935 ficou por conta da marcha carnavalesca Grau dez, feita em parceria com Lamartine Babo e do samba Inquietação, incluído na trilha sonora do filme "Favela dos meus amores", dirigido por Humberto Mauro.

1936
Lançou um dos seus maiores sucessos, o samba No tabuleiro da baiana, música encomendada por Jardel Jércolis que pretendia incluí-la em uma das revistas de sua companhia, a peça "Maravilhosa", encenada em outubro de 1936, cantada e dançada pela dupla Déo Maia e Grande Otelo. Em dezembro, a música voltou à cena, na revista "É batatal", da mesma companhia, desta vez apresentada por Oscarito e pela menina Isa Rodrigues. Antes da estréia teatral, a música foi gravada por Carmen Miranda e Luís Barbosa, revivida em 1980, por Caetano Veloso e Gal Costa e em 1983, por João Gilberto e Maria Bethânia.

1937
Lançou o programa "Calouros em desfile", na Rádio Cruzeiro do Sul onde exigia que os candidatos interpretassem exclusivamente música brasileira e que anunciassem corretamente o nome dos compositores. O programa passou para a Rádio Tupi, onde instituiu o gongo, que era tocado quando o calouro desafinava. Cantores famosos como Ângela Maria e Lúcio Alves começaram em seu programa que posteriormente chegou a ser transmitido pela televisão.

1938
Sucesso com mais uma grande composição, o samba-jongo Na baixa do sapateiro, gravado por Carmen Miranda. O samba deveria ser por ela cantado no filme "Banana da terra", o que não aconteceu devido a um desentendimento do compositor com o produtor Wallace Downey, o que aliás, resultou na inclusão de "O que é que a baiana tem", do estreante Dorival Caymmi. A música de Ary, no entanto, se tornaria sucesso internacional com o título Bahia, a partir de sua inclusão em outro filme "Você já foi à Bahia" (The three caballeros) de Disney, tendo alcançado mais de um milhão de execuções nos Estados Unidos, no ano de 1945.

1939
Compôs aquele que seria o maior sucesso de sua carreira, o samba Aquarela do Brasil. A música, uma declaração de amor ao país, com versos enaltecedores do povo, das paisagens e tradições brasileiras, foi a primeira composição e a responsável pelo surgimento do gênero samba - exaltação, posteriormente tão cultivado. Aquarela do Brasil, foi lançada por Araci Cortes na revista "Entra na faixa", de Ary e Luís Iglesias. Inadequada à voz da cantora, a música não fez sucesso. Pouco depois, foi apresentada pelo barítono Cândido Botelho no espetáculo "Joujoux e balangandãs". A primeira gravação da música foi realizada por Francisco Alves, com acompanhamento de orquestra num arranjo memorável criado pelo maestro Radamés Gnattali. A discografia da música é monumental, contando com interpretação de grandes artistas brasileiros e também estrangeiros, entre os quais Ray Conniff, Tommy e Jimmy Dorsey, Bing Crosby e Frank Sinatra. A música foi incluída no filme "Alô amigos", de Walt Disney (1943) com o título de "Brazil" e versos em inglês de S.K.Russel. Curiosamente, contrastando com tantas glórias, Aquarela do Brasil não ficou entre as três primeiras colocadas no concurso de sambas carnavalescos de 1940, cujo júri era presidido por Villa-Lobos, com quem Ary Barroso cortou relações, que só foram retomadas em 1955, quando ambos receberam a Comenda Nacional do Mérito. Ainda em 1939, lançou o samba Camisa amarela, letra e música de sua autoria, gravado inicialmente por Aracy de Almeida. Anos mais tarde (1956), o próprio Ary registrou a música cantando e se acompanhando ao piano.

1941
Lançou o samba Morena boca de ouro, regravado posteriormente por João Gilberto e em 1943 o samba Pra machucar meu coração.

1944
Fez duas viagens aos Estados Unidos, na primeira compôs Rio de Janeiro para o filme "Brasil", música que chegou a ser indicada para o Oscar e foi gravada posteriormente (1950) por Dalva de Oliveira na Odeon. Na segunda viagem, compôs a canção-tema do filme "Três garotas de azul".

1948
Voltou mais uma vez aos Estados Unidos, para musicar o "Trono das amazonas", filme que não chegou a ser completado.

1953
Organizou a Orquestra de Ritmos Brasileiros, com a qual excursionou pela Venezuela e México, e dois anos mais tarde, pelo Uruguai e Argentina.

1955
Foi condecorado com a Ordem Nacional do Mérito, em cerimônia que contou com a presença do então Presidente da República, Café Filho.

1957
O produtor Carlos Machado montou em sua homenagem o espetáculo "Mr. Samba", onde o roteiro composto de suas próprias músicas sugeria sua biografia. O espetáculo foi realizado na Boate Night and Day (Rio de Janeiro).

1960
Foi vice-presidente do departamento cultural e recreativo do Clube de Regatas do Flamengo. Pouco depois, adoeceu de cirrose hepática, doença da qual se restabeleceu em 1962, retomando seu programa "Encontro com Ary", apresentado pela TV Tupi e transmitido aos domingos.

1962
Fez sua última parceria com Vinícius de Moraes, parceria que produziu quatro músicas, dentre as quais, "Rancho das namoradas".

1963
A Ordem dos Músicos do Brasil ameaçou proibir a execução de suas composições, por desentendimento entre as sociedades arrecadadoras Ubc e Sbacem. Em represália à decisão, a imprensa e o meio musical chegaram a realizar uma "semana de desagravo", que incluiu concentração popular na Praça Serzedelo Correia. Neste mesmo ano, sofreu nova crise de cirrose, tendo sido internado na Casa de Saúde São José, onde teve uma breve recuperação. Pouco depois, sofreu uma recaída e foi internado no Instituto Cirúrgico Gabriel de Lucena, onde faleceu.

1964
O G.R.E.S. Império Serrano desfilou na avenida apresentando o enredo "Aquarela Brasileira", em sua homenagem. O compositor morreria quase que simultaneamente ao desfile em sua honra, tendo sido enterrado em plena realização do carnaval carioca no qual tanto brilhou.

1988
Foi mais uma vez homenageado como tema de escola de samba, dessa vez pela União da Ilha do Governador.

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Nasceu em 07.11.1903 Ubá, MG
Faleceu em 09.02.1964 Rio de Janeiro, RJ


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