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Vicente Celestino
RESUMO BIOGRÁFICO



Vicente Celestino

Seu nome verdadeiro era Antônio Vicente Filipe Celestino. Cantor, compositor e ator nasceu no dia 12 de setembro de 1894, na Rua Paraíso, bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Filho de imigrantes da região da Calábria, Itália, chegados ao Brasil dois anos antes de seu nascimento. Teve cinco irmãos e cinco irmãs. Quatro deles seguiram carreira artística como ele: João, galã cômico; Pedro, tenor; Radamés, barítono e Antônio, baixo. Chegou a trabalhar na sapataria do pai, em uma fábrica de guarda-chuvas, em 1905, como servente de pedreiro em 1906, voltando ao estabelecimento de seu pai em 1910. Cantor com voz de tenor, que lançou um estilo caracterizado pelo romantismo exacerbado, comovendo e arrebatando um grande público durante a primeira metade do século XX, através do teatro, de discos e do cinema nacional.

1902
Com apenas oito anos, começou a cantar no grupo "Pastorinhas da Ladeira Viana".

1903
Participou do coro infantil da ópera "Carmen", de Bizet, no Teatro Lírico. Nessa ocasião, o tenor italiano Enrico Caruso, entusiasmado com o menino, convidou-o para ir estudar na Itália. O pai, no entanto, não autorizou a ida do filho. Aos 11 anos, gostava de ouvir Eduardo das Neves no Passeio Público, fato que influenciou sua decisão de seguir a carreira de cantor.

1912
O Grupo dos Cartolas, formado por amigos do bairro da Saúde, montaram a peça "Vida de artista", na qual ele cantou um solo, publicamente, pela primeira vez. A partir de então, abandonou o emprego na sapataria e passou a cantar em festas, serenatas e casas de chope, dedicando-se inteiramente à música. Um dia, quando cantava em uma dessas cervejarias, aceitou convite de trabalho de Alvarenga Fonseca que o levou para a Companhia Nacional de Revistas, da qual era diretor.

1913
Passou a atuar num Chope-cantante recebendo 10 mil réis por noite.

1914
Estreou no teatro de revistas no dia 10 de julho de 1914, aos 19 anos, na revista "Chuá, chuá", de Eustórgio Wanderley e J. Ribas, cantando no coro e fazendo um solo da valsa "Flor do mal", de Santos Coelho e Domingos Correia. A interpretação arrebatou o público.

1915
O sucesso com a valsa "Flor do mal" levou-o a lançar seu primeiro disco pela Odeon, em que gravou a referida valsa. Em seguida, gravou a valsa "Os que sofrem", de Alfredo Gama e Armando Oliveira.

1916
Trabalhou para a Companhia Leopoldo Fróes, onde foi promovido para o posto de ator-cantor, apresentando-se em São Paulo, no Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia. No mesmo ano, gravou uma série de modinhas pela Odeon, entre as quais, Perdão de um coração, Sonhando e Feiticeira, de autores desconhecidos.

1917
Fez um dos principais papéis na burleta de costumes nacionais de Avelino de Andrade apresentada no Teatro São José no Rio de Janeiro e atuou na opereta de costumes portugueses "A avozinha", de Mário Monteiro, apresentada no mesmo Teatro. No mesmo ano começou a estudar canto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ainda em 1917, gravou na Odeon a canção sertaneja O capim mais mimoso, de autor desconhecido e, com o cantor Bahiano e coro, o desafio sertanejo Urubu subiu, também de autores desconhecidos e sucesso no carnaval daquele ano. Nessa época, gravou diversas canções com letras de Catulo da Paixão Cearense, com músicas de diferentes parceiros, entre as quais, Ontem ao luar, com Pedro de Alcântara; Porque sorris, com Juca Kalut; Vai meu amor ao campo santo, com Irineu de Almeida e Horas melancólicas, com Bonfíglio de Oliveira.

1919
Participou de várias operetas, dentre as quais: "Amor de bandido", de Oduvaldo Viana e Adalberto de Carvalho, encenada no Teatro São Pedro (hoje João Caetano), pela Companhia de Pascoal Segreto; "Juriti", opereta de costumes sertanejos, de Viriato Correia, com música de Chiquinha Gonzaga e encenada no mesmo Teatro, com enorme sucesso. Nessa opereta, além dele, participavam Abigail Maia e o jovem Procópio Ferreira, que firmou seu nome no teatro a partir dessa montagem.

1920
Em sociedade com a atriz e cantora Laís Areda, decidiu fundar sua própria companhia de operetas. No mesmo ano estreou "Loucuras de amor", de Adalberto de Carvalho, no Teatro Americano, cantando em dueto com a soprano Laís Areda.

1921
Participou das montagens das óperas "Tosca", de Puccini, e "Aida", de Verdi, no Teatro Lírico, e de "Carmen", no Teatro São Pedro. No mesmo ano, fez o papel título no espetáculo "O Mártir do Calvário", apresentado no Teatro São Pedro no Rio de Janeiro.

1922
Por ocasião do centenário da Independência do Brasil, gravou o Hino da Independência, de D. Pedro I e Evaristo da Veiga. No mesmo ano, fez sucesso com a valsa Triste carnaval, de Américo Jacomino e Arlindo Leal.

1923
Em sociedade com a cantora Carmen Dora, fundou nova companhia com a qual excursionou por todo o país durante os anos seguintes. No mesmo ano, fez sucesso com a canção Caiuby (Canção da cabocla bonita), de Pedro de Sá Pereira.

1924
Destacou-se com a gravação do fox-canção O cigano, de Marcelo Tupinambá e Gastão Barroso.

1925
Percorreu o país com o espetáculo "O mano de Minas", de Brandão Sobrinho e Celestino Silva.

1927
Excursionou pelo Norte do país com um repertório de canções brasileiras.

1928
Gravou as canções Casinha da colina, de Luiz Peixoto e Pedro Sá Pereira e Eterna canção, de Júlio Dantas e Marcelo Tupinambá; o samba O que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô e a valsa Raios de um olhar, de Lamartine Babo e Lírio Panicali.

1929
Gravou o clássico samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler e Cândido Costa.

1930
Gravou as primeiras composições de sua autoria, o samba-canção Vovô e vovó, parceria com Atílio Milano e a canção Quando te vi.

1932
Estreou na Columbia, onde gravou cinco discos, lançando a canção Meu Brasil, de Pedro de Sá Pereira e Olegário Mariano e o tango-canção Noite cheia de estrelas, de Cândido das Neves.

1933
Lançou a canção Malandragem, de Ary Barroso.

1934
Tranferiu-se para a Victor, gravadora na qual permaneceu por 33 anos com um contrato de 50 mil réis mensais, além da inédita clausla de percentual na vendagem dos discos. Na Victor obteve dois sucessos logo no primeiro disco, com os tangos-canção Ouvindo-te, de sua autoria, este, gravado em dueto com a mulher Gilda de Abreu, e Rasguei o teu retrato, de Cândido das Neves.

1935
Cantou pela primeira vez a canção O ébrio, em programa na Rádio Guanabara.

1936
Gravou seu maior sucesso, a canção O ébrio, de sua autoria, que inspirou uma peça de teatro no mesmo ano.

1937
Trabalhou com Gilda na ópera "Lucia de Lamenrmoor", de Donizetti, no Teatro São Pedro. No mesmo ano, lançou outro grande sucesso de sua autoria, o tango-canção Coração materno, inspirado em uma lenda de mais de 500 anos, segundo ele.

1938
Voltou a gravar com a mulher Gilda de Abreu, lançando o tango Irapuru, de autoria dos dois. No mesmo ano, gravou, de sua autoria, as canções Falando ao coração e Impiedosa.

1939
Gravou de Godofredo Santoro e Dante Santoro a canção Ilusão de garoto e a valsa Martírios.

1940
Lançou as canções Quero voltar, parceria com Custódio Mesquita e Sadi Cabral, e Serenata, de sua autoria; a valsa Luz e sombra e a modinha Quando o outono chegar, as duas últimas, parcerias com Mário Rossi.

1941
Foi encenada a peça de teatro inspirada na canção O ébrio. No mesmo ano, fez sucesso com a valsa Sangue e areia, parceria com Mário Rossi. Lançou ainda no mesmo ano, duas composições de André Filho: a valsa Cinzas no coração e a canção Cancioneiro do amor.

1942
Gravou a canção patriótica Terra virgem, parceria com Mário Rossi e o samba-canção Samba enciumado, de sua autoria.

1943
Gravou, de sua autoria, a canção Jurema e as valsas Ilusão, com Correia Leite e Flor mulher, com Osvaldo Santiago.

1944
Gravou mais duas obras compostas com Mário Rossi, seu mais constante parceiro, a valsa Mãos que falam e a canção Força de expressão.

1945
Fez uma versão para a canção Granada, de Augustin Lara. Gravou também, de Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior, o bolero Dois estranhos e, de Miguel Lima e Mário Galvão, o tango Taça de fel.

1946
Foi lançado o filme "O ébrio", baseado na canção de sua autoria com direção de sua mulher Gilda de Abreu e com ele no papel principal, obtendo recordes de bilheteria.

1947
Gravou mais duas composições feitas em parceria com Mário Rossi, as canções Alma de palhaço e Sonho de artista. No mesmo ano, estreou a peça "Coração materno", no Teatro São José, em São Paulo.

1949
Voltou a gravar com a mulher Gilda de Abreu, lançando a Canção de amor, de sua autoria.

1951
Gilda de Abreu dirigiu o filme "Coração materno", adaptado de sua composição novamente com o cantor como estrela e com novos recordes de bilheteria. No mesmo ano, gravou de sua autoria a toada "Gaúcha que eu adoro" e a canção Diga da janela.

1952
Regravou a modinha Gandoleiro do amor com música de Fábregas sobre versos de Castro Alves, a canção Rasga o coração e a valsa Por um beijo, as duas de Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros.

1954
Escreveu as letras para duas valsas de Franz Lehar: Valsa da viúva alegre e Conde de Luxemburgo.

1956
Gravou o samba Fantasia carioca, de Osvaldo Santiago e Alcyr Pires Vermelho e o tango Não adianta, de sua autoria.

1957
Gravou o tango-canção Margarida que fez com Zeca Ivo. No mesmo ano, gravou as canções Nênias e Em delírio, ambas de Cândido das Neves .

1958
Gravou o samba-canção Nono mandamento, de René Bittencourt e Raul Sampaio e os sambas-canção Conceição, de Dunga e Jair Amorim, e Vingança, de Lupicínio Rodrigues. No mesmo ano, estreou a opereta "A viúva alegre", na TV Tupi e remontou a peça "O Mártir do calvário", no Teatro São Pedro, em São Paulo. Sempre fiel a seu estilo, gravou também sambas e clássicos da bossa-nova como Se todos fossem iguais a você, de Tom Jobim e Vinícius de Morais, em 1959.

1960
Gravou o samba-canção Seresta, de Ataulfo Alves.

1964
Teve seu aniversário de 70 anos comemorado com um programa de auditório na Rádio Nacional.

1965
"O ébrio" foi tema de uma novela na TV Paulista, na qual viveu o papel principal. No mesmo ano, recebeu o título de "Cidadão Paulistano" e cantou na Câmara Municipal como agradecimento. Ainda no mesmo ano, realizou um show no Cine Roma em Salvador, com renda destinada às obras sociais de Irmã Dulce.

1966
Gravou Obrigado, meu Brasil e Canção da paz, de Gilda de Abreu e Marina Ghiaroni.

1967
Recebeu do júri do Festival Internacional da Canção o diploma de "A expressão Máxima da Canção", na TV Globo. Ainda neste ano gravou histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som, testemunho, aliás, reproduzido quando do seu velório na Câmara dos Vereadores.

1968
Coração materno foi gravada e lançada no LP-manifesto "Panis et Circensis", por Caetano Veloso, com arranjo de Rogério Duprat, como estratégia do movimento da "Tropicália", que tinha a intenção de revolucionar os meios musicais da época. No mesmo ano, recebeu na TV Rio o Disco de Ouro, homenagem prestada pela RCA Victor. No dia 23 de agosto de 1968, quando se preparava para gravar um programa de televisão, onde seria homenageado pelo Movimento Tropicalista, passou mal no quarto do Hotel Normandie, em São Paulo, falecendo do coração minutos depois. Seu corpo foi transferido para o Rio de Janeiro, onde foi velado por uma multidão na Câmara dos Vereadores e sepultado sob palmas do público.

1994
Por ocasião do centenário de seu nascimento, foi homenageado pelo selo Collector's com o lançamento de cinco fitas cassettes contendo 10 programas radiofônicos completos irradiados no ano de 1950 e 1952 pelas Rádios Nacional e Tupi na coleção "Assim era o rádio".

1996
O mesmo selo Collector's levanta, de forma cronológica, toda discografia de 78 rpm do cantor em uma coleção intitulada "Obras completas".

COLLECTOR'S STUDIOS LTDA.
Nasceu em 12.09.1894 Rio de Janeiro, RJ
Faleceu em 23.08.1968 São Paulo, SP

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