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Breve história da Música Brasileira
O Samba

HISTÓRICO   I   ACERVO    

O samba, ao que tudo parece confirmar, veio de "semba" que quer dizer "umbigada". Formava-se uma roda de batucada e dentro um dançarino fazia suas evoluções e requebros. Quando cansava ia até um membro da roda, dava-lhe uma umbigada e trocava com ele de lugar. O outro ia para o centro da roda fazer suas próprias evoluções e requebros.

O samba nasceu, portanto, como quase todos os gêneros musicais, de uma dança.

Como gênero musical o samba surgiu em 1917 com a música Pelo telefone, de Donga e Mauro de Almeida. Era, como se poderá ouvir no acervo ilustrativo do gênero, um quase maxixe.

Houve muito polêmica em torno da autoria desse samba e ainda hoje, quando se conhece a Discografia Brasileira de 78 rpm encontra-se referências ao nome samba em várias outras gravações anteriores ao Pelo telefone. Ele ficou, entretanto, com a fama de ser o primeiro samba gravado.

Após o seu advento, Sinhô e Caninha arrancaram-no das batucadas do morro e das rodas de samba, e trouxeram-no para o delírio do carnaval. O dois fizeram os primeiros sambas para os três dias de folia. Ensaiando e tocando sambas na Festa da Penha, nos Clubes Carnavalescos e até nos ranchos, cordões e blocos carnavalescos, eles iam ensinando ao povo as letras, ingênuas e fáceis, as melodias vivas e sensuais de suas músicas.

Mais tarde, por volta de 1930, para permitir uma melhor evolução nos desfiles dos blocos carnavalescos, o samba sofreu uma modificação originada entre os sambistas do Estácio: Ismael Silva, Alcebiades Barcelos, Nilton Bastos e outros, adquirindo então sua forma mais conhecida hoje em dia.

O teatro de revistas, entretanto, para transmitir-lhe romantismo criou o samba-canção de andamento mais lento e que empresta à música uma beleza maior sendo esta, talvez, a mais bonita forma de samba. O primeiro samba-canção conhecido é Linda flor de Henrique Vogeler que recebeu letra de 4 revistógrafos pois a música foi composta para um espetáculo teatral e mereceu também 3 gravações de artistas do palco: Francisco Alves, Vicente Celestino e Aracy Cortes. A primeira versão recebeu letra de Freire Junior e foi gravado por Francisco Alves com o nome de Meiga flor (Disco Parlophon n. 12.909, lançado em janeiro de 1929). A segunda, com o nome definitivo de Linda flor, recebeu letra de Cândido Costa e foi gravada por Vicente Celestino (Disco Odeon n. 10.338, lançado em março de 1929). A terceira versão cantada por Aracy Cortes na peça Miss Brasil (20 de dezembro de 1928 - Teatro Recreio) de Luiz Peixoto e Marques Porto recebeu letra definitiva dos autores da peça e foi gravada por Aracy na Parlophon, disco 12.926, com o nome de Iaiá. O disco foi lançado também em março de 1929. No livro de Roberto Ruiz sobre a vida de Aracy Cortes esta história é contada em detalhes a partir da página 117.

Na matriz ilustrativa do samba-canção colocamos as três versões, com os respectivos nomes: Meiga flor, Linda flor e Iaiá. Depois colocamos a primeira gravação da música com o nome certo e a letra certa, na voz de Isaurinha Garcia. Esta última pareceu-nos a mais bonita de todas as interpretações.

Por volta de 1938, sugestionado pelo baterista Luciano Perrone, Radamés Gnattali introduziu uma modificação na maneira de tocar e orquestrar samba. Até então o ritmo do samba era marcado exclusivamente pelos instrumentos de percussão. Radamés criou um arranjo especial no qual os instrumentos de sopro também faziam a marcação do ritmo e a partir dai uma boa parte dos sambas passou a incluir esta marcação em suas orquestrações. Damos uma pequena demonstração deste tipo de orquestração nas músicas que aparecem na fita do samba-exaltação onde nos restringimos apenas aos sambas de exaltação ao Brasil. Há centenas de sambas exaltando o Rio de Janeiro, a Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Sul, Pernambuco e outras partes do Brasil.

Desde 1933, Gadé e Walfrido Silva vêm compondo sambas diferentes dos tradicionais e muitas vezes até com breques para incluir alguma fala no meio da música enquanto esta fica parada durante alguns compassos. É o caso, por exemplo, de Vem cavar a nota gravada por Francisco Alves em 1.4.33. Outros compositores seguiram-lhe os passos e criaram outros sambas-choros e sambas-de-breques focalizando situações engraçadas corriqueiras da vida real. Entre eles destacaram-se o Zé da Zilda, o Moreira da Silva, o Wilson Batista, o Geraldo Pereira e outros. Na matriz/acervo representativa do que chamamos samba-de-bossa você vai encontrar vários desses sambas defendidos pelos melhores sambistas, inclusive um muito engraçado gravado por Aracy de Almeida intitulado Paft... Paft.

Na década de 50 surgiu um outra maneira de executar o samba, com modificação na batida da bateria, iniciada por João Gilberto, no violão. Era a bossa-nova. A primeira vez que João Gilberto mostrou esta nova batida foi na música Chega de saudade acompanhando Elizete Cardoso, na gravação do LP Canção do amor demais com letra de Vinicius de Moraes e música de Antônio Carlos Jobim. Você vai ouvir esta gravação histórica e outras pérolas preciosas da bossa-nova na matriz representativa deste tipo de samba.

São formas diferentes de executar samba mas todas são samba.

O fixador do gênero na década de 20 foi, sem dúvida, Sinhô que chegou mesmo a receber o apelido de Rei do Samba. Na década de 30 os grandes nomes do samba foram: Noel Rosa, Ary Barroso, Nilton Bastos, Alcebiades Barcelos e outros. Na de 40 surgiram Haroldo Lobo, Antônio Nássara, Herivelto Martins, Roberto Martins, Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues e outros. Nos anos 50 surgiu o samba de fossa, com Antônio Maria, Ismael Neto, Dolores Duran, Maysa, Fernando Lobo e outros. Da metade dos 50 para frente, começa a bossa-nova com destaque para Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra, Menescal, Boscolli e outros.

No campo do samba-enredo, exclusivo das Escolas de Samba, destacaram-se Cartola, Carlos Cachaça, Silas de Oliveira, Paulo da Portela, Candeia, Mano Décio da Viola e outros. Não ilustramos este tipo de samba porque já contamos a História das Escolas de Samba em nosso Collector´s Notícias onde aparecem todas as músicas importantes do samba-enredo. Também na coleção História Musical do Carnaval, com as músicas de todos os carnavais, ano a ano, incluímos os sambas-enredo de maior popularidade. Se você tiver interesse, a Collector´s tem estas coleções.

Nas matrizes que apresentamos nesta coleção há exemplos de tango brasileiro, maxixe e samba nas suas várias modalidades.

Para ilustrar o samba fomos buscar na experiência e conhecimento de vários estudiosos da música popular brasileira a ajuda necessária para escolher os melhores sambas produzidos no Brasil em todos os tempos. Encontramos um disco editado pela Empresa Discos Marcos Pereira em 1975 e produzido por Sérgio Cabral, chamado Os melhores sambas de todos os tempos. Na capa do disco Sérgio declara que ouviu a opinião dos mais notáveis estudiosos da musica brasileira da época, levando em conta, inclusive, a opinião de dois dos maiores conhecedores da nossa música popular que haviam morrido antes da confecção do disco mas que, em reportagem publicada no Jornal do Brasil, já haviam manifestado a sua opinião sobre o assunto: Sérgio Porto e Edson Carneiro. Por nossa conta, fomos buscar a opinião de um elemento da atualidade, também profundo conhecedor do assunto, chamado Jairo Severiano - um dos autores da Discografia Brasileira em discos de 78 rpm, do livro Yes nós temos Braguinha e o livro O tempo e a música - 85 anos de canções brasileiras - 1901-1985, escrito em co-autoria com o também pesquisador paulista Zuza Homem de Mello e finalmente a opinião de Ary Vasconcelos o mais conhecido pesquisador e escritor sobre música popular no Brasil. É autor de Panorama da Música Popular Brasileira (2 volumes), Raizes da Música Popular Brasileira, Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Epoque, A Nova Música da República Velha e Carinhoso (História e Inventário do Choro). Eis o resultado da enquete:

ARLEY PEREIRA - Em 1975 pertencente ao Diário da Noite e TV-Tupi de São Paulo : Sim - Quando o samba acabou - Coisas do mundo, minha nega - Quem te viu e quem te vê - A flor e o espinho - Louco - Heróis da liberdade - A Bahia te espera - Praça Onze - Divina dama - Antonico - Cântico à natureza.

ALBINO PINHEIRO - Na época, membro do Conselho de Música Popular do Museu da Imagem e do Som e comandante-em-chefe da famosa Banda de Ipanema: Agora é cinza - Implorar - Seca do nordeste - Divina dama - Se acaso você chegasse - Último desejo - Se você jurar - A flor e o espinho - O orvalho vem caindo - Ai que saudades da Amélia.

JOSÉ RAMOS TINHORÃO - Na época, crítico do Jornal do Brasil e autor de vários livros sobre música popular: Jura - Ai Ioiô - Se você jurar - Até amanhã - Agora é cinza - Ai que saudades da Amélia - Implorar - Não tenho lágrimas - Sementes de amor - Juízo final.

LÚCIO RANGEL - pesquisador e autor de livros e artigos sobre música brasileira: Cansei - Ai Ioiô - Novo amor - Se você jurar - Nosso romance - Faceira - Nuvem que passou - A tua vida é um segredo - Divina dama - Mulher de malandro.

RICARDO CRAVO ALBIN - ex-diretor do Museu da Imagem e do Som e também pesquisador de música popular brasileira: Agora é cinza - Se você jurar - A razão dá-se a quem tem - Dama do cabaré - Camisa amarela - Oh! Seu Oscar - Praça Onze - Heróis da liberdade - A flor e o espinho - Pedro pedreiro - Foi um rio que passou - Samba do perdão.

SÉRGIO CABRAL - escritor e pesquisador de música popular brasileira: A fonte secou - A felicidade - Jura - Se você jurar - Não me diga adeus - Notícia - Ai que saudades da Amélia - A voz do morro - Foi um rio que passou - Falsa baiana.

TARIK DE SOUZA - Naquela época critico do Jornal do Brasil, Veja e Opinião: Falsa baiana - A flor e o espinho - O sol nascerá - Sei lá Mangueira - Ai que saudades da Amélia - Se você jurar - Conversa de botequim - Mas, que nada - Camisa listada - Se acaso você chegasse - Adeus batucada - Apesar de você.

JAIRO SEVERIANO - pesquisador, escritor e um dos autores da Discografia Brasileira em discos de 78 rpm: Morena boca de ouro - Se você jurar - Agora é cinza - Atire a primeira pedra - É com esse que eu vou - Ultimo desejo - Falsa baiana - Feitiço da Vila - Louco (Ela era o seu mundo) - Ai que saudades da Amélia.

ARY VASCONCELOS - jornalista, pesquisador e autor de vários livros sobre Música Popular Brasileira: Carinhoso - Professora - Feitiço da Vila - Nervos de aço - Brasil pandeiro - Se você jurar - Último desejo - Serra da Boa Esperança - Meu romance - Meu pranto ninguém vê.

Do conjunto destas opiniões surgiu a relação de "Os melhores sambas de todos os tempos" aqui apresentados. Foram acrescentados, por nossa conta, alguns sambas que mesmo não figurando entre os melhores não poderiam ficar de fora pela sua importância no contexto: Pelo telefone (o primeiro samba gravado), Quem são eles (o primeiro samba de Sinhô, gravado), Já te digo (resposta de Pixinguinha ao samba de Sinhô. Destaque para a flauta sensacional de Pixinguinha), Papagaio louro (segundo sucesso de Sinhô e primeira gravação de Francisco Alves), Quem vem atrás fecha a porta ou Me leva, me leva Seu Rafael e Essa nêga qué me dá (os primeiros sucessos de Caninha - José Luis de Moraes). Estes foram os primeiros sambas de grande sucesso no Brasil, aqui apresentados em suas gravações originais.

Após estes sambas antológicos, iniciamos à seqüência votada começando pelos que foram citados maior número de vezes, em ordem decrescente, até chegarmos aos que foram citados apenas uma vez, mas nem por isso menos importantes. Chamamos a atenção dos leitores para o fato de que Se você jurar é a única música apontada por todos, menos o Arley Pereira, como sendo um dos melhores sambas de todos os tempos. Destacamos, em negrito, na relação de cada um, o nome do samba, para que todos possam conferir.

E aqui vai um lembrete muito especial para os pesquisadores e críticos de música popular brasileira que têm a mania de veicular a informação de que Francisco Alves, como compositor, era apenas um mero comprador de sambas alheios, acusação esta lançada pelo cronista Vagalume no seu famoso livro "Na roda do samba", mas que ele não comprovou com nenhum nome de samba comprado por Francisco Alves:

O samba mais citado pelos entendidos como um dos melhores - Se você jurar - é exclusivamente de Francisco Alves e Nilton Bastos. O compositor Ismael Silva entrou nesta parceria porque fazia parte do acordo entre os três. Já tivemos oportunidade de ressaltar esse fato em nosso Collector´s Notícias n° 36 de Maio/Junho de 1995, quando falamos do compositor Francisco Alves. Não tínhamos visto ainda esta seleção organizada por Sérgio Cabral. Quem ler a primeira auto-biografia do cantor - Minha vida... minha vida - publicada no final da década de 30 e reeditada, revista e ampliada, no início da década de 40 e que poderá ser encontrada, na íntegra, no primeiro volume da série "O Único Rei da Voz", editada por nós, vai encontrar lá um tópico sob o título - Para fazer meu samba - onde ele conta a história do Se você jurar. O estribilho é do Nilton Bastos e a segunda parte é só do Francisco Alves - letra e música. E tudo com o testemunho de Mário Reis. O compositor Ismael Silva só sentiu coragem de assumir a paternidade da música depois que Francisco Alves morreu. Na época do livro e enquanto o cantor foi vivo, Ismael não abriu a boca. Em pesquisa, é sempre bom não confundir depoimento com documento.

Uma curiosidade: os cantores que mais indicações tiveram foram Francisco Alves com 11 e Mário Reis com 9. E entre os compositores Noel Rosa ganha disparado com 9 citações.

Na seleção resultante da opinião desses "cobras" alguns sambas foram sucessos retumbantes outros nem tanto mas sua beleza melódica ou sua temática tornaram-nos inesquecíveis e indispensáveis numa antologia como esta. O leitor observará, por certo, que a grande maioria é samba de carnaval.

Não conseguimos encontrar nenhuma gravação do samba Secas do nordeste da Escola de Samba Tupi de Brás de Pina, para o carnaval de 1961 indicado por Albino Pinheiro e por isso deixamos de incluí-la em nossa coletânea. O samba Sementes de amor, de autoria de Angenor de Oliveira e Carlos Cachaça, citado pelo pesquisador José Ramos Tinhorão deve ser o Não quero mais amar a ninguém, salvo melhor juizo. Colocamos este no lugar. Se estivermos enganados, que nos perdoe o Tinhorão e os clientes. Esta música começa a segunda parte dizendo: Semente de amor sei que sou desde nascença. Deve ser este. O samba Último desejo está reproduzido na matriz do samba-canção. O Carinhoso, citado por Ary Vasconcelos já foi catalogado nesta coleção sobre História da Música Brasileira quando falamos de choro cantado e Brasil pandeiro está catalogado na matriz dos sambas-exaltação.

Na relação de sambas estão incluídas as nossas escolhas que foram acrescentadas para completar as 4 matrizes. São aquelas que não estão na relação dos demais e que julgamos merecedoras de figurar nesta coletânea sem prejudicar o brilho dos indicados pelo seleto júri de pesquisadores.

José Maria Campos Manzo


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