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Breve história da Música Brasileira
O Frevo

HISTÓRICO   I   ACERVO    

O frevo, também conhecido como marcha-pernambucana, apesar de ser uma música regional do nordeste conseguiu se popularizar pelo país afora, chegando mesmo a estimular a criação de conjuntos de frevos que ficaram famosos no carnaval carioca: Pás Douradas, Vassourinhas e outros. Por sua relação com o carnaval o frevo é cultivado até hoje na região nordestina especialmente em Pernambuco e Bahia onde se constitui a base musical do carnaval, divulgadas através dos inúmeros Trios Elétricos que circulam durante o carnaval naquela região.

O frevo surgiu da interação entre a dança e a música a ponto de não se poder distinguir - no dizer de Valdemar de Oliveira, um estudioso pernambucano - se "o frevo, que é música, trouxe o passo que é dança ou se o passo, que é dança, trouxe o frevo, que é música."

Segundo José Ramos Tinhorão, o frevo é criação de músicos brancos e mulatos, na sua maioria instrumentistas de bandas militares tocadores de marchas e dobrados, ou componentes de grupos especialistas em música de dança do fim do século XIX - polcas, tangos, quadrilhas, schottisch e maxixes.

Nos primórdios, o frevo era apenas a música - o desfile marcial pelas ruas do Recife, arrastando consigo, nos becos e travessas estreitas da velha capital pernambucana as multidões arrebatadas. Para abrir o caminho iam na frente, especialmente contratados ou convidados, os capoeiristas e valentões.

O costume desses valentões abrirem caminho dos desfiles carnavalescos gingando e aplicando rasteiras e golpes de capoeira teria dado origem ao passo do frevo. (Há até quem afirme que a sombrinha era usada, inicialmente, como arma de defesa pelos primeiros passistas. Mais tarde ela foi incorporada a coreografia do frevo).

No começo o frevo não tinha letra. Na opinião de Rui Duarte - um estudioso do frevo - "foram uns jornalistas e intelectuais que entenderam que frevo tinha que apresentar uma letra, quando a música, pela sua própria natureza, não foi feita para ter parte de canto."

Acontece que com a divulgação e popularização, no rádio e nas vitrolas portáteis, a marchinha e o samba carioca entraram a concorrer com o frevo pernambucano, sem letra. Para concorrer com a marcha e o samba era necessário cantar também o frevo. Foi aí que nasceu o frevo-canção.

Segundo o historiador pernambucano Mário Melo, o responsável pela fixação do frevo a partir da segunda metade do século XIX teria sido o capitão José Loureço da Silva, que era regente da banda do Quadragésimo Batalhão de Infantaria do Recife, conhecido por Zuzinha.

É Valdemar de Oliveira quem afirma em artigo de 1946 que "a primeira alusão ao termo frevo é de 12 de fevereiro de 1908 no Jornal Pequeno e que no carnaval de 1909 o povo já gritava, à aproximação dos blocos fazendo o passo: Olha o frevo ! Os saltos da dança, vistos de longe, davam à multidão o aspecto de uma superfície líquida fervendo e na linguagem popular pernambucana ferver sempre fora frever.

Uma outra manifestação musical e popular já existia em Pernambuco por ocasião do surgimento do frevo. Era o Maracatu que nada mais era que a versão nordestina dos cordões carnavalescos do sul, originados nas festas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário.

O conhecido folclorista Câmara Cascudo diz textualmente no seu Dicionário do Folclore Brasileiro: "Marcatu: Grupo carnavalesco pernambucano, com pequena orquestra de percussão, tambores, chocalhos, gonguê (agogô dos candomblés baiano e macumbas carioca), percorre as ruas cantando e dançando sem coreografia especial. Respondem em coro ao tirador de loas, solista. Sempre foi composto de negros, em sua maioria. É que acompanham os reis de congos, eleitos pelos escravos, para a coroação nas igrejas e posterior batuque no ádro, homenageando a padroeira ou Nossa Senhora do Rosário. Perdida a tradição sagrada, o grupo convergiu para o carnaval conservando elementos distintos de qualquer outro cordão na espécie."

Desfazendo alguns equívocos

Gostariamos de aproveitar a oportunidade para tecer aqui alguns comentários que nos parecem oportunos para esclarecer certos equívocos que vêm se perpetuando por falta de elementos que possam aclarar definitivamente o assunto.

O primeiro deles está relacionado com a música Vassourinhas. Segundo Capiba escreveu na capa do LP - 25 anos de frevo - a música teria sido escrita em 6 de janeiro de 1889 por Matias da Rocha (música e letra) e cujos versos eram os seguintes:

Somos nós os Vassourinhas
Todos nós em borbotão
Vamos varrer a cidade
Ah ! Isto não ! Ah ! Isto não !
Tu bem sabes o compromisso
Ah ! Isto não ! Não pode ser
A mostrar nossas insígnias
E a cidade se varrer

Ah ! Reparem meus senhores
O pai desse pessoal
Que nos faz sair à rua
Dando viva ao carnaval

Esta música, chamada ainda de marcha, era cantada quando os foliões do Clube Misto Vassourinhas regressavam à sua sede para recolher os estandartes do Clube e, por isso, era chamada de "marcha regresso."

Diz textualmente Capiba: "Estes versos foram colhidos por mim na própria sede do conhecido Cemelo de São José e diferem muito de uma letra que se diz ser dessa marcha e que começa assim: Se essa rua fosse minha, etc."

Quem seria o autor da nova letra ?

Vez por outra aparece como co-autora da música, em partituras reproduzidas em catálogos das Editoras e mesmo em alguns discos, o nome de Joana Batista Ramos. Seria ela ? Acreditamos que não pois na Discografia Brasileira em 78 rpm seu nome aparece duas vezes apenas em gravações realizas na Musidisc, em 1956 e na Chantecler, em 1961. Ora, esta letra já existia, pelo menos, desde 1945.

A primeira gravação da música com o nome de Frevo dos Vassourinhas nº 1 foi feita por Serverino Araujo e sua Orquestra Tabajara na Continental em 30.09.49. No disco a autoria é atribuída ao Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas. Na Discografia Brasileira em 78 rpm foi indicado como autor Matias da Rocha.

Em 1945, ou seja 4 anos antes, Almirante que já gravara várias marchas pernambucanas, descobriu que a letra de uma canção de roda se encaixava corretamente na música dessa marcha. (O mesmo acontece com a letra de Ai que saudade da Amélia e o Hino à Bandeira). A cantiga de roda era assim:

Nesta rua tem um bosque
Que se chama solidão
Dentro dele mora um anjo
Que roubou meu coração
.......................................
Se esta rua fosse minha
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas de brilhantes
Para o meu amor passar (ou passear)

Usou a segunda estrofe, escreveu mais duas outras e gravou-a com Déo e Castro Barbosa com o nome de Frevo número um e um subtítulo (Marcha Regresso do Clube Vassourinhas - Marcha Popular de Pernambuco - Adaptação de Almirante). O disco era o Continental nº 15.279-B. Aliás há vários casos parecidos na música popular brasileira. Quando um compositor descobre uma música muito popular e coloca nela uma letra sua ele chama esta operação de "um arranjo" seu. Veja o caso de Está chegando a hora (Cielito lindo) (Carmen Costa) um arranjo de Rubens Campos e Henricão e Amor delicado (Domínio Público) (Déo) "um arranjo" de João de Barro e Dorival Caymmi.

A letra de Almirante era assim:

Se esta rua fosse minha
Eu mandava ladrilhar (estribilho)
Com pedrinhas de brilhante
Para meu bem passear

A tristeza Vassourinhas
Invadiu meu coração
Ao pensar que talvez nunca
Nunca mais te veja não

A saudade Vassourinhas
Enche d'água os olhos meus
Que tristeza Vassourinhas
Neste derradeiro adeus

Esta versão de Almirante para o frevo Vassourinhas foi a primeira que apareceu gravada no Rio de Janeiro. O sucesso foi enorme e a nova letra se espalhou pelo Brasil inteiro. Sem esta adaptação ou arranjo de Almirante, provavelmente o frevo Vassourinhas teria ficado no anonimato como ficaram, aqui no sul, muitos outros que fizeram sucesso em Pernambuco.

A palavra frevo aparece em disco de 78 rpm, pela primeira vez, na música Frevo Pernambucano, uma marcha carnavalesca, gravada por Francisco Alves (como sempre pioneiro), de autoria de Luperce Miranda e Osvaldo Santiago (Odeon 10.757) gravada no final de 1930. Como gênero, a palavra frevo apareceu pela primeira vez na música Vamos se acabá, de autoria de Nelson Ferreira, gravada em janeiro de 1931 pela Orquestra Guanabara (Disco Parlophon nº 13.259-B).

Com o nome de marcha nortista, o primeiro frevo gravado, ao que tudo indica, foi Não puxa Maroca, de autoria de Nelson Ferreira. Foi gravado pela Orquestra Victor Brasileira sob a regência de Pixinguinha em 4.7.29 (Disco Victor 33.203-B).

O segundo disco de frevo a ser gravado foi o Parlophon nº 13.090 com a música Dedé, cantada por Minona Carneiro e Maroca só qué puxá, executado pela Simão Nacional Orquestra em novembro de 1929, ambas de Nelson Ferreira. No disco estas músicas não aparecem como frevo e sim como marcha.

O terceiro foi o Parlophon nº 13.109-B com Francisco Alves cantando a marcha-canção Didi, de um lado e a Simão Nacional Orquestra executando do outro lado a marcha pernambucana Maroca só qué sortero, sendo a primeira de Nelson Ferreira e Samuel Campelo e a segunda só de Nelson Ferreira, lançadas em março de 1930, mas gravadas para o carnaval daquele ano.

O primeiro frevo de Capiba gravado aqui no Rio foi Agüenta o rojão, terceiro lugar no concurso promovido pelo Diário de Pernambuco e gravado em disco Columbia nº 22.201 por Breno Ferreira, para o carnaval de 1933. O segundo foi É de amargar, gravado por Mário Reis como marcha pernambucana e inscrito no concurso do Diário de Pernambuco para o carnaval de 1934. Sobre este frevo, o livro "Capiba - é frevo, meu bem" escrito por Renato Phaelante da Câmara e Aldo Paes Barreto, para a Funarte, diz o seguinte:

"É bem pouco provável que qualquer outra música, em qualquer outro tempo, tenha sido tão cantada e tocada com tal intensidade nas ruas e nos salões dos clubes recifenses em quatro séculos de História. A consagração começou no teatro Santa Isabel quando a platéia, por aclamação, elegeu É de amargar vencedora incontestável do concurso (...)"

E mais adiante, como declaração do próprio Capiba: " Foi quando terminou o concurso e o povo me descobriu, me carregando em triunfo pelas ruas da cidade - rua das Trincheiras, rua Nova... Todo mundo cantando "Eu bem sabia/Que este amor um dia..." e eu chorando..."

A expressão frevo-canção, que é o frevo cantado aparece, pela primeira vez, no disco Victor 34.018 onde Fernando Lobo (o compositor, produtor e homem de rádio, pai de Edu Lobo) canta a música Pare, olhe, escute... e goste, de Nelson Ferreira, gravada em 6.12.35. (Primeira e única gravação de Fernando Lobo, como cantor).

O segundo equívoco a ser esclarecido diz respeito aos frevos que Antônio Maria escreveu e gravou. O primeiro deles se chamava Recife e foi gravado pelo Trio de Ouro em 9.8.51, na Victor, disco nº 80.0829-B. É o mais bonito deles. Na História da Música Brasileira editada pela Editora Abril em 1970 este frevo aparece com o nome de Frevo nº 2 cantado por Maria Bethania e no texto sobre a música está escrito que a primeira gravação é de Luiz Bandeira, na Continental em 26.12.53. O Frevo Nº 2 do Recife (este é o nome correto) gravado por Luiz Bandeira (Disco Continental nº 16.881B) é inteiramente diferente como se poderá ouvir no acervo catalogado. Maria Bethania cantou Recife, erroneamente chamado de Frevo nº 2, naquela coleção. Mais tarde Antônio Maria compôs o Frevo nº 3 que foi gravado por Claudionor Germano, no Mocambo, em 1957 (Disco nº 15.188-B).

Na segunda edição da História da Música Brasileira, chamada de Nova História da Música Popular Brasileira (1978) daquela mesma Editora está escrito:

"O "acariocamento" do recifense Maria jamais conseguiu afastar as recordações de sua terra natal. Após um despretensioso Frevo nº 1 do Recife (1951), veio o Frevo nº 2 do Recife onde a palavra "saudade" é (sintomaticamente) repetida três vezes. Obteve mais sucesso que o primeiro pois o cantor ao lançá-lo em disco (referia-se a Luiz Bandeira) gozava de grande fama, à época, e porque Antônio Maria já era conhecido pelo público como compositor de sambas-canções trágicos e soturnos."

E a gravação apresentada é a mesma de Bethania cantando Recife ou seja o primeiro frevo de Antônio Maria e que o autor do texto dizia ser "um despretensioso Frevo nº 1".

Para ilustrar o frevo preparamos duas matrizes com o que de mais representativo existe no gênero, inclusive com a marcha pernambucana dos Irmãos Valença - Mulata (que deu origem à polêmica questão com a Victor sobre Teu cabelo não nega), e quase todos os frevos citados neste pequeno comentário: Frevo número um (ou Vassourinhas), Didi, Não puxa, Maroca, É de amargar, Recife, Frevo nº 2, Pare, olhe, escute e...goste, Frevo Pernambucano e outros de grande sucesso.

José Maria Campos Manzo


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