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Breve história da Música Brasileira
O Choro

HISTÓRICO   I   ACERVO    

A década de 1870 foi de especial significado na história da música popular brasileira. Foi nessa época que se deu o abrasileiramento das técnicas de execução dos instrumentos europeus trazidos para o Brasil como a flauta, o violão, o cavaquinho, o pandeiro e até mesmo o piano, através do estilo dos pianeiros. Também foi por essa época que se nacionalizaram os ritmos dançantes importados como a polca, a schottisch, a mazurca, o tango, a habaneira, a quadrilha, etc.

Além desses fatos de natureza musical, dois acontecimentos de grande significação sociocultural para nós ocorreram no Brasil: o aparecimento do maxixe, primeira dança genuinamente brasileira e o choro.

O choro nasceu, segundo alguns pesquisadores, por volta de 1877 no Rio de Janeiro, nas biroscas da Cidade-Nova e no fundo dos quintais dos subúrbios. Começou com flauta, cavaquinho e violão.

Seus primeiros cultores eram funcionários dos Correios e Telégrafos, da Estrada de Ferro Central do Brasil e da Alfândega. Reuniam-se por puro lazer domingueiro e pelo prazer de fazer música. Aos poucos foram sendo acrescentados outros instrumentos ao trio original tais como o bandolim, o ofclide, o bombardino, o trombone, o pistom, o clarinete e o saxofone.

Os chorões, como eram chamados, reuniam-se por mero acaso. Não tinham número pré-fixado de participantes. Em conseqüência, era também improvisada, a composição instrumental desses conjuntos e esta improvisação logo se refletiu nas execuções, surgindo daí um estilo interpretativo inconfundível que passaria a ser característico do choro. A improvisação passou a ser a condição básica do bom chorão.

Nessa interpretação havia, entretanto, um elemento constante: o tom plangente, "choroso" da execução. Era a maneira chorada de tocar. Dai o nome de "choro" dado a esses conjuntos e o de "chorão" dado ao integrante do grupo.

O choro é um gênero musical especificamente instrumental, embora, vez por outra, algum compositor coloque letra na música fazendo dela um sucesso popular mesmo entre os não instrumentistas. O exemplo mais famoso é o de Carinhoso de Pixinguinha que recebeu letra de João de Barro e foi gravado por Orlando Silva com estrondoso sucesso.

A história de Carinhoso está contada por Jairo Severiano no seu excelente livro "Yes, nós temos Braguinha", sobre a vida de João de Barro. Resumidamente ele diz o seguinte: "O Carinhoso tem uma longa história que começa de forma inusitada, com o autor mantendo-o desconhecido por mais de dez anos. Esse ineditismo é justificado por Pixinguinha, no depoimento que concedeu ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro em 1968: "Eu fiz o Carinhoso em 1917. Naquele tempo o pessoal nosso da música não admitia choro assim de duas partes (choro tinha que ter três partes). Então, eu fiz o Carinhoso e encostei. Tocar o Carinhoso naquele meio ! Eu não tocava. Ninguém ia aceitar."

A música só chegou ao disco em dezembro de 1928, interpretado pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Sem letra Carinhoso teria ainda mais duas gravações: uma pela Orquestra Victor Brasileira em 1929 e outra por Luperce Miranda em 1934. Segundo Jairo em ambos o nome da música aparece como Carinhos e não Carinhoso.

Em outubro de 1936 encenava-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro o espetáculo "Parada das Maravilhas", promovido por D. Darci Vargas em benefício da Casa do Pequeno Jornaleiro. Convidada a participar do espetáculo a atriz Heloisa Helena pediu ao João de Barro uma canção nova, que marcasse sua presença no palco. Não possuindo nenhuma na ocasião, o compositor aceitou a sugestão da amiga - Heloisa Helena - para que pusesse versos numa música já existente, o choro Carinhoso. Braguinha falou com Pixinguinha e no dia seguinte a letra estava pronta para Heloisa Helena cantar. Sem exagero - diz Jairo Severiano - Carinhoso só se tornou um dos maiores clássicos da música brasileira a partir do momento em que pôde ser cantado. Desde a primeira gravação de Orlando Silva em 28 de maio de 1937 até a saída do livro de Jairo em 1987, Carinhoso já havia registrado mais de 100 gravações.

Segundo Jairo, Orlando Silva reivindicava para si a idéia de colocar letra na música mas esta versão é desmentida por Pixinguinha, João de Barro e até Almirante que escreveu dois artigos sobre isso.

No começo as músicas executadas no Brasil eram as importadas. O choro foi o recurso de que se utilizou o músico popular carioca para executar, ao seu modo, essa música de procedência estrangeira que era consumida nos salões, nos saraus e nos bailes da alta sociedade, no tempo do Império.

Diz Mozart de Araujo que ao caírem no âmbito do choro essas músicas foram digeridas com o tempero brasileiro das "descaídas" e das "negaças" e perderam o seu caráter de dança se transformando em música para ser ouvida, apenas.

O nome se generalizou como uma maneira de tocar polcas, schottisch, e tangos da própria criação dos brasileiros. Por isso, a riqueza do choro se expressa não só na diversidade de forma e gênero como na diversidade de ritmos; não apenas na variedade dos instrumentos musicais que emprega como no virtuosismo de sua execução onde aparece como característica principal a capacidade de improvisação.

Na década de 70, neste século, a Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro promoveu a comemoração do Centenário do Choro com a realização, nos anos de 1978, 1979 e começo de 1980 de uma série de shows no Planetário, em Escolas Estaduais e Municipais, no Museu do Primeiro Império e no Teatro João Caetano com Conjuntos de Choro. O Collector´s Studios matrizou parte de alguns dos shows apresentados. Mais adiante você encontrará a relação das músicas.

O repertório de choros, no Brasil é muito vasto e por isso não é fácil fazer uma seleção que agrade a todos.

O repertório de choros, no Brasil é muito vasto e por isso não é fácil fazer uma seleção que agrade a todos.

José Maria Campos Manzo


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