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   A História da música de Carnaval - Histórias pitorescas

A PIONEIRA DAS
GRANDES SOCIEDADES

Congresso das Sumidades Carnavalescas

O entrudo, aquela lambança portuguesa de se jogar água uns nos outros, entrou em declínio por volta do início deste século mas muito antes já se lutava para acabar com ele. A chamada elite da época, ali pelos meados do século XIX já procurava fugir das ruas para os bailes que começara a ocorrer por volta de 1840, quando se realizou o primeiro no Teatro São José, promovido por uma mulher italiana casada com um hoteleiro estabelecido no Largo do Rocio. Em 1844 a nova moda se aperfeiçoava: já era comunicado aos dançarinos que seria servida ceia, vinhos e refrescos depois do baile mas, para isso a entrada aumentara de preço: passou de dois para quatro mil reis, sendo que as mulheres não pagavam. A idéia prosperou e muito outros bailes foram organizados. Vieram os Clubes Carnavalescos que passaram a se encarregar da organização de tais bailes. Eram intituladas Sociedades Carnavalescas.

De acordo com informações de diversos historiadores, o primeiro Clube Carnavalesco aparecido no Rio de Janeiro foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, que em 1855 realizava a sua primeira passeata. Contava com 80 sócios, todas pessoas de boa companhia. Entre eles estava José de Alencar - o romancista - então com 26 anos de idade.

José de Alencar que surgira com sua veia de romancista em 1848 e já em 1857 publicaria, em folhetim no Diário do Rio de Janeiro, o célebre Guarani foi quem anunciou o surgimento da nova entidade carnavalesca. Em uma crônica publicada no Correio Mercantil em 1855, depois de falar no carnaval e no entrudo, dizia:

"Muitas coisas se preparam este ano para os três dias de carnaval. Uma sociedade criada o ano passado e que conta já perto de oitenta sócios, todos pessoas de boa companhia, deve fazer no domingo a sua grande promenade pelas ruas da cidade.

A riqueza e luxo dos trajos, uma banda de música, as flores, o aspecto original desses grupos alegres, hão de tornar interessante esse passeio dos máscaras, o primeiro que se realizará nesta corte com toda a ordem e regularidade.

Quando se concluir a obra da Rua do Cano, poderemos então imitar, ainda mesmo de longe, as belas tardes de corso em Roma.

Entretanto a sociedade terá já este ano uma boa lembrança.

Na tarde de segunda-feira, em vez do passeio pelas ruas da cidade, os máscaras se reunirão no Passeio Público e aí passarão a tarde como se passa uma tarde de carnaval na Itália, distribuindo flores, confete e instigando os conhecidos e amigos.

Naturalmente, logo que a autoridade competente souber disto, ordenará que a banda de música que costuma tocar aos domingos guarde-se para a segunda e que, em vez de uma, sejam duas ou três.

Confesso que esta idéia me sorri. Uma espécie de baile mascarado, às últimas horas do dia, à fresca da tarde, num belo e vasto terraço, com todo o desafogo deve ser encantador."

Dizem que era um grande carnavalesco o nosso romancista.

Como José de Alencar anunciara, em 1855 fazia sua primeira passeata o Congresso das Sumidades Carnavalescas. Antes do dia 23 de fevereiro em que caíra o entrudo, uma comissão composta do Dr. Joaquim Francisco Alves Branco, Muniz Barreto, coronel Polidoro Fonseca Quintanilha, João e José Martiniano de Alencar dirigiram-se a São Cristóvão pedindo a S.M. o Imperador que viesse, com as princesas, para o paço da cidade honrar com suas presenças o carnaval do ano e assistir a passagem do Congresso das Sumidades.

O Imperador, a Imperatriz e as Princesas assistiram ao desfile que era aberto pela banda marcial do Congresso das Sumidades vestida com o pitoresco uniforme dos cossacos da Ucrânia.

Havia clarins escoceses, um carro levando D. Quixote, cavaleiro de la Mancha que fazia tremular com a galhardia de um herói de Cervantes o pendão admiravelmente trabalhado do clube, caleches puxadas por duas parelhas lindíssimas, colchas de damasco e de rendas alvíssimas cobriam os carros; havia ainda grupos históricos; caleches com bailadeiras, mandarins, nobres do Cáucaso, Benevenuto, Fernando o Católico, o duque de Guise, grupos a cavalo, etc.

Impossível descrever o entusiasmo das multidões. 1855 marcou uma nova etapa na historia do carnaval carioca. Os jornais noticiavam: "Registrou-se a maior transformação do carnaval fluminense e que o tornou célebre e rival do carnaval de Nice, Veneza e Roma. Saiu o primeiro préstito das Sumidades Carnavalescas.

Era o início do carnaval das Grandes Sociedades; Fenianos, Democráticos, Tenentes do Diabo e Pierôs da Caverna.

O documento que ora transcrevemos para conhecimento dos nossos clientes
é peça importante para a formação da História do Carnaval.

José Maria Campos Manzo    
Janeiro de 1996    



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