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   A História da música de Carnaval - Fase elétrica

Em 1927, apareceu a gravação elétrica decretando o afastamento dos tenores e barítonos. Era preciso saber dominar a voz para se adaptar ao novo processo. Francisco Alves conseguiu, mas surgiram logo outros cantores fazendo sucesso no disco.

No carnaval de 1928, Francisco Alves dominou com uma única excesso. Ele gravou: Amar a uma só mulher, A malandragem, Eu fui no mato crioula, Ai eu queria, Caridade, Eu quero é nota e Samba de nego, principais sucessos do ano. A exceção ficou por conta dos Turunas da Mauricéia, com Augusto Calheiros à frente: Pinião.

Finalmente, fechando a década de 20, ou seja, em 1929, tivemos: Mário Reis, com Dorinha meu amor, Vadiagem, Vou à Penha, Gosto que me enrosco, Vou me vingar, Jura, Sorriso falso e Margot. Francisco Alves gravou: É sim senhor, Seu doutor, Zum, zum, zum meu violão, Quem eu deixar não quero mais, Seu Voronoff, Comigo não, violão e Samba de verdade. Apareceu ainda o cantor Benício Barbosa, acompanhado pelo conjunto dos Oito Batutas, cantando: Sou da fuzarca, Não sou mais trouxa e Esta nega qué casá.

Em 1930, já com o radio em pleno desenvolvimento (já haviam 3 emissoras) e o número de receptores suficientemente grande, estouraram no carnaval três músicas que provocaram alta vendagem de discos:

  • Dá nela - de Ar Barroso;

  • Prá você gostar de mim - de Joubert de Carvalho;

  • Na Pavuna - de Candoca da Anunciação e Almirante.

Dá nela, foi premiada em primeiro lugar no concurso instituído pela fábrica de discos Odeon, para escolher as melhores músicas de carnaval de 1930. O autor - Ary Barroso ganhou cinco contos de réis, o que o permitiu comprar seu anel de grau (bacharel em direito) e casar.

Pra você gostar de mim - mais conhecida como Taí, foi a música que marcou o primeiro sucesso de Carmen Miranda e a consagrou pelo resto da vida.

Na Pavuna - foi gravada com a inclusão de instrumentos de percussão, segundo Almirante, utilizados pela primeira vez numa gravação.

Temos nossa dúvida com relação a esta informação face às gravações citadas anteriormente, de Vadeia caboclinho e Samba dos avacalhados, onde é mencionada, nos discos, o acompanhamento de batuque. Ouvimos também uma gravação de Mário Pinheiro intitulada Cordão Carnavalesco (Flor do Enxofre Vermelho) lançada em 1908 onde se ouve nitidamente o barulho dos instrumentos de percussão tradicionais.

Além disso, prestem atenção na música O Malhador de Donga e Pixinguinha. Lá está a "percussão" que Almirante e Edigar de Alencar dizem ter sido introduzida na gravação de Na Pavuna. Em vários sambas da mesma época, aparece nitidamente o "reco-reco".

A verdade, porém, é que a partir de 1930 estava consagrada a música carnavalesca. Muitos compositores começaram a criar, especialmente, para o carnaval. As músicas eram testadas nos auditórios das emissoras de rádio e, se agradavam, eram transpostas para o disco. As emissoras de rádio se encarregavam, depois, de difundir a música.

No começo, haviam apenas cinco gravadoras: Odeon, Parlophon, Victor, Columbia e Brunswick. A Parlophon foi logo absorvida pela Odeon. A Columbia foi substituída, em 1943, pela Continental. A Brunswick durou pouco e não gravou quase nada para o carnaval.

Cada uma lançava, em media, 20 a 30 discos para o carnaval de cada ano. Os jornais, que sempre dedicaram espaço para o carnaval, cederam mais espaço para a transcrição das letras das músicas, o que contribuiu, sem dúvida, para facilitar a memorização das mesmas. Surgiram até jornais especializados na divulgação das letras das músicas de carnaval.

Nos salões dos clubes ou nas ruas, o povo cantava entusiasticamente a música dos melhores compositores: Ary Barroso, Lamartine Babo, Noel Rosa, João de Barro, Benedito Lacerda, Haroldo Lobo, Antônio Nássara, Antônio Almeida, Roberto Martins, Ataulfo Alves e muitos, muitos outros que se notabilizaram com seus sambas e marchas de carnaval que até hoje são cantados pelos foliões.

Alguns deles de uma beleza romântica sem par, outros engraçados, outros registrando fatos corriqueiros da vida ou mesmo fatos históricos ou políticos, tornando-se desta forma verdadeiros patrimônios da cultura brasileira.

A década de 30 é a chamada "década de ouro" do carnaval brasileiro. Dessa década são os maiores sucessos de carnaval de todos os tempos e que até hoje se posicionam entre as músicas mais tocadas e cantadas em todo o Brasil: Mamãe eu quero, Pierrot apaixonado, Touradas em Madrid, Taí, Na Pavuna, Dá nela, Teu cabelo não nega, Linda morena, Linda lourinha, Agora é cinza, Cidade maravilhosa, A jardineira e muitas outras.

A década de 40, apesar de rica também em sucessos carnavalescos, sofreu a conseqüência da guerra e algumas músicas de sucesso tiveram seus temas relacionados com o conflito. Podem ser citadas como sucessos consagrados: Cai, cai, Aurora, Ala-la-ô, Ai que saudades da Amélia, Nós os carecas, Praça 11, Laurindo, Club dos barrigudos, Que rei sou eu, Espanhola, Cordão dos puxa-sacos, Onde estão os tamborins, Chiquita bacana e mudas outras.

Na década de 50, o número de músicas carnavalescas começou a aumentar, assim como o número de gravadoras. Em 1951 apareceu o long-playing e mais ou menos em 1955 a afta fidelidade. Os discos de 78 rpm entraram em declínio até desaparecerem definitivamente em 1964. Da década de 50, podem ser citados os seguintes grandes sucessos: Serpentina, Lata d'água, Sapato de pobre, Sereia de Copacabana, Saçaricando, Daqui não saio, Cachaça, Barracão, Piada de salão, Saca-rolha, Império do samba, Maria escandalosa, Quem sabe, sabe, Vai com jeito, Zé Marmita, Pedreiro Valdemar, Fanzoca de rádio, Chora doutor e muitas outras.

Na década de 60, centenas de compositores, muitos dos quais nunca foram citados, viram na música de carnaval uma fonte de renda superior a da música de meio de ano a começaram a produzir música para o carnaval em quantidade cada vez maior, estimulados, inclusive, por um número maior de gravadoras na praça. Das duzentas ou trezentas composições que até então eram produzidas normalmente para cada ano, o volume passou, em um ano, para cerca de 1500.

As emissoras de rádio já não podiam tocar todas as músicas na freqüência suficiente, para serem memorizadas pelos ouvintes e em conseqüência teve incremento a "caitituagem', ou seja: o compositor, o cantor ou algum preposto percorria as estações de rádio pedindo aos discotecários (quando não os subornando) para tocarem a música. Isto fez com que os grandes compositores se afastassem do mercado. Eles se recusavam a fazer caitituagem.

A caitituagem, propiciava a divulgação e fixação de músicas sem o menor valor, com letras pobres, sem expressão, salvo - é claro - raríssimas exceções.

Da década de 60, podem ser citadas como autênticos sucessos de carnaval, as seguintes músicas: Me dá um dinheiro ai, Índio quer apito, Garota de Saint Tropez, Pó de mico, Cabeleira do Zezé, Bigorrilho, Mulata ié, iê, iê, Trem das onze, Tristeza, Máscara negra, Até quarta-feira, Voltei e outras.

A década de 70, assistiu ao declínio e ao fim da música tipicamente carnavalesca. Vários fatores contribuíram para isso:

  • O fim do rádio de Broadcasting;

  • A incapacidade das emissoras de TV em substituir o rádio de broadcasting;

  • A Lei 5.988 de 1973, sobre Direitos Autorais;

  • O apoio recebido pelas Escolas de Samba.

Até os últimos anos da década de 60, ainda haviam programas de rádio com interpretações ao vivo. As principais emissoras possuíam orquestras e um cast de cantores. Haviam muitos programas musicais e os cantores se promoviam primeiro no rádio e só depois iam para o disco.

A partir de 1970, isso acabou e os cantores passaram a se apresentar em emissoras de TV, onde haviam vários musicais, mas onde um cast de cantores e músicos permanentes não era possível. Os cantores eram convidados a participar de shows, como Noite de Gala, Times Square e outros, na base do cachê. Cantavam eventualmente, porque era preciso variar. No carnaval, havia praticamente uma "caitituagem", ou seja: os cantores compareciam aos programas, muitas vezes de graça, para promoverem as suas músicas e usando play-back (uma fita com a gravação da música e sem a letra). Isto, evidentemente, não era suficiente para fixar uma música. Muitos cantores de renome não se prestavam a esse papel.

O rádio, a essa altura, era um grande toca-discos e, consequentemente, o mais importante veiculo de divulgação das gravadoras de discos, que utilizavam-no para divulgar o que era do seu interesse, mas o carnaval, ao que parece, não lhes interessava tanto.

Em 1973, foi aprovada a Lei 5.968, sobre Diretos Autorais, que obrigava uma remuneração para os artistas e às gravadoras pela execução de suas músicas. O que antes era de graça, agora tinha que ser pago. Em conseqüência, duas coisas importantes aconteceram: a morte do intérprete (o autor passou a interpretar suas próprias músicas) e a morte da música carnavalesca. Com a Lei, surgiu o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais), ou seja, a partir de 1973, todas as músicas teriam que pagar para serem executadas. O ECAD passou a controlar tudo que era executado, preparava a relação das músicas mais tocadas em todo o Brasil e por essa relação arrecadava e pagava os Direitos Autorais, Artísticos e de Produções Fonomecânicas.

Os discos só com as músicas de carnaval, foi aos poucos desaparecendo e em seu lugar as gravadoras passaram a incluir uma ou duas faixas de carnaval nos LP's, que lançavam no final de cada ano. Nos meses que antecediam o carnaval, eram "trabalhadas" essas duas faixas e depois do carnaval, as demais. Foi assim que apareceram, na década de 70, as músicas dos cantores Luiz Ayrão, Beth Carvalho, Benito de Paula, Clara Nunes, Jair Rodrigues, Roberto Ribeiro e outros.

Houve um esforço da gravadora Som Livre, das organizações Globo, no sentido de ressuscitar o disco de carnaval, sob o nome genérico de Convocação Geral. Esse esforço começou em 1975 e morreu em 1979.

Na década de 70, as novelas de TV divulgavam muito suas trilhas sonoras e várias músicas dessas trilhas acabaram se tornando sucesso de carnaval. Esse fenômeno corresponde, de certo modo, a um retorno às origens, quando a música cantada no carnaval era a música que fazia sucesso, no momento.

Finalmente, o apoio recebido pelas Escolas de Samba que passaram, na década de 70, a gravar um disco especial com suas músicas e a "trabalhar' esse disco junto às emissoras de rádio, conseguindo grande divulgação. Aliás a idéia nasceu no final da década de 6D, quando a CODIL gravou ao vivo na quadra das Escolas, dois discos: 1968 e 1969. Em 1970, surgiu, com o selo Caravelle, o primeiro disco das Escolas de Samba, gravado em estúdio. A partir de 1972 a Top Tape assumiu a responsabilidade e ficou dona da música das Escolas de Samba, por mais de uma década. Hoje está, ao que parece, nas mãos de uma companhia estrangeira, a BMG Ariola.

O levantamento feito pelo ECAD, a partir de 1972, serviu de base para o nosso acervo de músicas mais tocadas no carnaval. Por isso, incluímos muitas músicas tocadas mais em São Paulo do que no Rio, mais em Recife, mais em Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte ou mesmo Brasília. Nossa ordem obedece ao número total de vezes que a música foi executada em todo o Brasil. A música das Escolas de Samba, começou a aparecer, na década de 70, entre as músicas mais tocadas a por isso figura em nossa seleção.

Podem ser destacadas as seguintes músicas, tipicamente carnavalescas. na década de 70: Bandeira branca, O primeiro clarim, Dondoca, Chinelo novo, Bloco da solidão, Marcha da cueca, Ninguém tasca, Tem capoeira, Marcha do Kung Fu, Blusa amarela e Vou festejar. Entre as músicas das Escolas de Samba, podemos destacar Alô, Alô Tia Carmen Miranda, Festa para um rei negro, Nossa madrinha, Mangueira querida (Tengo Tengo), O mundo melhor de Pixinguinha e O amanhã.

Com o titulo geral de "História da Música de Carnaval", a Collector's anuncia para a sua clientela a disponibilidade para transcrição do acervo de 95 horas de áudio matrizadas, com todas as músicas famosas do carnaval, desde o Zé Pereira, até os sucessos de carnaval de 1980.

Para apresentar este trabalho, estamos pesquisando desde 1975.

Além das pesquisas próprias em jornais e partituras da época, tomamos por base as levantamentos feitos por Almirante em 1940 e 1946. Edigar de Alencar, em 1965, Ary Vasconcelos em 1964 e 1977. Para correção das datas a que se referem as músicas, tomamos por base a numeração dos discos e o levantamento da Discografia Brasileira em discos de 78 rpm, organizada por Alcino Santos, Gracio Barbalho, Jairo Severiano e M.A. de Azevedo (Nirez).

Assim, por exemplo, situamos no mesmo ano os sucessos Fubá e Dor de cabeça. Cada um está de um lado do mesmo disco. Ary Vasconcelos colocou, em seu levantamento, Fuba como sucesso de 1924 e Dor de cabeça como sucesso de 1925. O mesmo fez Edigar de Alencar.

Outro caso bastante significativo é o das músicas: Passarinho do má e Seu Agache. Tanto Edigar de Alencar, como Ary Vasconcelos, colocam as músicas no carnaval de 1927. Entretanto, o disco de Passarinho do má, foi lançado em julho de 1927, depois do carnaval, portanto, e Seu Agache só foi gravado em 10 de setembro de 1929, ou seja, para o carnaval de 1930, onde nós a colocamos.

Edigar de Alencar justificou a sua decisão, com as seguintes palavras sobre Passarinho do má: "Houve ainda uma toada sertaneja muito cantada pelos foliões. Era o "samba sertanejo" apresentado Pela Companhia Brandão-Palmerim, então ocupando o Teatro Trianon, na revista carnavalesca "Vaes então Luiz", de Duque e Oscar Lopes. O titulo era mais um trocadilho dos sugeridos polo nome do Presidente da República. Número de sucesso todas as noites, era o samba de Duque (Antônio Amorim Diniz), sob motivos folclóricos, Passarinho do , cantado por João Lino e Brandão Sobrinho."

É possível, portanto, que a música fosse sucesso por causa do teatro e a gravação foi feita à posteriori. Não tendo como comprovar, ficamos com os dois notáveis pesquisadores e colocamos a música no carnaval de 1927.

Não é o caso, entretanto, de Seu Agache.

Algumas outras diferenças de datas, merecem comentários. A primeira delas é Desespero de Pierrot. O disco traz o número 120.257, anterior à música Cabocla de Caxangá (120.521) que todos colocam como sendo do carnaval de 1914. Logo, Desespero de Pierrot ou Pierrot e Colombina, é de 1913 e não 1916, como a colocam Almirante, Edigar de Alencar e Ary Vasconcelos.

Pode ser um caso típico de música de um ano que só fez sucesso dois anos depois. Nós, por uma questão de coerência com a numeração dos discos, colocamos a música em 1913.

O segundo caso é o da música Pois não, de Eduardo Souto. Tanto Edigar de Alencar, como Ary Vasconcelos, situam a música no carnaval de 1920, mas colocam Ai amor no carnaval de 1921. Acontece que o número do disco da música Ai amor, é anterior ao número de Pois não. Ai amor tem o número 121.874 e Pois não tem o número 121.996. Não faz sentido Pois não ser do carnaval de 1920 e por isso colocamos a música no carnaval de 1921.

O terceiro caso é Sai da raia. O número do disco é 122.492, depois, portanto, de Goiabada (121.332),Tatu subiu no pau (121-333) e Macumba Gegê (121.424), que todos colocam em 1923. Não colocamos o Sai da raia, em 1923 e não 1922, como Almirante, Edigar de Alencar e Ary Vasconcelos colocam.

O quarto caso é o do Nosso ranchinho, cujo número 122.832 é anterior a Os passarinhos da Carioca (122.842), que todos os três pesquisadores colocam em 1925. E mais: Edigar chegou a escrever que ..."Segundo o Jornal do Brasil, os êxitos musicais do carnaval de 1925 foram: Está na hora e Amor de Caninha; Crioula boa e Teu nome, de João da Gente; Caneca de couro, de Sinhô; Os passarinhos da Carioca, de Careca; Nosso ranchinho de Donga e De Chocolat e Comidas meu santo, de Costinha.

Nós colocamos 'Nosso ranchinho' como sucesso de 1925 e não 1926, como os citados pesquisadores colocam.

No programa "No tempo de Noel Rosa", Almirante cita a música Rosa, meu bem, como sendo do carnaval de 1924. Ele, Almirante, terra ouvido a música no carnaval de 1924, quando seu pai acabara de falecer. (Na casa de vizinhos, Catullo da Paixão Cearence cantava a música). Acontece que a música que é de autoria de J.Thomaz, só foi gravada para o carnaval de 1926, sob o número 123.019, ou seja, no mesmo ano de Tem papagaio no poleiro (123.032). Colocamos a música no carnaval de 1926.

Finalmente, um último caso a comentar: Edigar e Ary colocam no carnaval de 1925 a música Tudo à la garçonne, de autoria de Pedro de Sá Pereira e Américo F. Guimarães. Na Discografia Brasileira de 78 rpm (obra já citada), não há música com este nome. Os discos com as músicas do carnaval de 1925, têm a numeração entre 122.760 (Dor de cabeça) até 122.842 (Os passarinhos da Carioca). Dentro dessa seqüência numérica, encontramos sob o número 122.76B e um pouco antes 122.756 a música Cabeleira à la garçonne, um fox de autoria de Pedro de Sá Pereira e Américo F. Guimarães. Seria a mesma música? Os versos são inteiramente diferentes. Em dúvida, resolvemos, para evitar omissões, incluir o fox em nossa relação de sucessos do carnaval de 1925.

Ao trazer a público, pela primeira vez, as gravações originais das músicas carnavalescas, a Collector's toma possível também algumas correções de Gêneros Musicais, que aparecem na Discografia Brasileira dos discos de 78 rpm (obra citada) como samba e na realidade são marchas. Outras como maxixe e são sambas e vice-versa. É o caso, por exemplo, de Cabeça inchada, que aparece como "samba carnavalesco", mas é uma marcha. O mesmo ocorre com a música Pois não. de Eduardo Souto, que aparece como samba e o próprio locutor do disco anuncia como samba, mas na realidade é uma marcha.

A partir de 1926, desaparece a figura do locutor que anunciava as músicas no começo de cada disco. Alguns pesquisadores informam que esse locutor era o cantor e locutor Nozinho, cujo nome verdadeiro era Carlos Vasques. Nos discos de carnaval, como pode agora ser conferido, o locutor era o próprio cantor.

Também no que diz respeito à letra das músicas, algumas correções poderão ser feitas a partir desse lançamento da Collector's.

Nem sempre a letra que está impressa na partitura da música é a cantada no disco. Edigar de Alencar e Ary Vasconcelos, por exemplo, divulgam urna letra para a música O casaco da mulata, que não corresponde a letra cantada por Bahiano no disco. Só o estribilho cantado por Maria Marzullo é igual.

Coisa parecida ocorre com a música Urucubaca miúda. Edigar de Alencar introduz um verso:

Ai, ai
É da nossa
A urucubaca da perna grossa. 

que não consta da música. E no primeiro verso, Edigar escreve:

Ai, ai
É da minha
A urucubaca da miudinha

Mas na realidade, Bahiano canta: É daninha.

Ou seja, "que causa dano' ou como no brasileirismo nordestino, citado por Aurélio: endiabrada, travessa, terrível.

Quando fomos pesquisar no Arquivo de Almirante, na Fundação Museu da Imagem e do Som e na seção de Música da Biblioteca Nacional, as partituras para a extração das letras corretas das músicas, não encontramos a partitura de Urucubaca miúda.

Na Biblioteca Nacional, entretanto, encontramos um livro intitulado: Canções de Colombina, da coleção Fagundes Baeta e outro livro da mesma coleção, intitulado: Lira do Trovador, editados em 1917 e 1918, respectivamente, onde estão varias das letras que procurávamos. E entre elas, na pagina 14 do segundo livro, está uma letra com o título É DAMNINHA e embaixo os dizeres: "samba carnavalesco, cantado polo Bahiano e gravado em chapa da Casa Edison'.

A letra era a do disco número 120.967, da Casa Edison, intitulado: Urucubaca miúda. Estava esclarecida a confusão do Edigar de Alencar.

DAMNINHA é daninha e não da minha.

Outras coisas ainda poderão ser descobertas à medida em que forem analisadas as músicas ora colocadas ao alcance do público.

Estamos disponibilizando a obra completa de carnaval catalogada em 95 matrizes, sendo que a partir de 1927 catalogamos uma matriz para cada ano e a partir de 1930, duas matrizes para cada ano até 1965, voltando a uma para cada ano a partir de então e até 1980. São ao todo aproximadamente 1900 músicas, todas em suas gravações originais, exceto as primitivas, quando o sistema de gravação ainda não existia e mais 5 cujas gravação originais não conseguimos obter: Carleto e Rocca, No bico da chaleira, Dengo Dengo, Vamo Maruca, vamo e Sai da raia.

Reiteramos aqui a observação que fizemos anteriormente: Para entender corretamente a letra das músicas da fase mecânica de gravações é necessário ter à mão a letra das músicas. Ai fica tudo claro. Sem a letra, sua compreensão será bastante prejudicada. Veja:

  • Letras das músicas da fase mecânica.

  • Relação completa do acervo disponível por décadas.

  • O Zé Pereira e o Zé Pereira Carnavalesco.

  • Os cordões Carnavalescos

Esta é a nossa contribuição para a preservação da memória do carnaval - nossa maior festas popular.

José Maria Campos Manzo    
Janeiro de 1994    



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